Parque de La Salette: o símbolo de Oliveira de Azeméis

São 17 hectares de verde, caminhos pedestres e miradouros naquele que antigamente era conhecido como o Monte Castro e que todos em Oliveira de Azeméis conhecem hoje por parque de La Salette.

Este que é considerado o símbolo de terras oliveirenses nasceu de uma promessa da população de Oliveira de Azeméis a Nossa Senhora de La Salette, que rogava então pela queda de chuva num verão de seca e calor intenso. A 5 de julho de 1870, organizou-se uma procissão até ao cimo do monte Crasto e quando os devotos alcançaram o cume começou a chover.

A promessa foi cumprida com a construção de uma capela, inaugurada a 19 de setembro de 1880. Os primeiros trabalhos no parque iniciaram-se a 7 de abril de 1909.




O plano geral foi concebido por Jerónimo Monteiro da Costa, paisagista do virar do século XIX e herdeiro de uma cultura oitocentista em torno da horticultura, jardinagem, conceção e construção de jardins e, à altura, diretor dos Jardins Municipais do Porto e da Real Companhia Hortícolo-Agrícola Portuense.

Monteiro da Costa preocupou-se em criar condições para que habitantes e visitantes fruíssem do cenário, ao mesmo tempo que dava ao entorno da capela a dignidade que a promessa e a devoção exigiam.

Hoje, o parque de La Salette é um dos mais concorridos locais de Oliveira de Azeméis, e não apenas nas festas de agosto. Este é um espaço convidativo e com vistas deslumbrantes.

Olhando para oeste, avista-se a ria de Aveiro e toda a extensão de mar que vai da Costa Nova a Ovar. A sul, os olhos descobrem a mancha florestal da Bairrada e, a nordeste encontra-se a serra da Gralheira e o vale do rio Antuã.

Este é um espaço para todas as idades, com os parques infantil, desportivo e sénior que promovem o convívio intergeracional, e também um parque de merendas. Mas contemos um pouco de história.

O ladrão que pagou com o corpo

Em 1909, a Comissão Patriótica Oliveirense que se fundou para criar o parque de La Salette tinha uma preocupação: a segurança. O monte ainda não era o espaço agradável em que se viria a tornar e a capela, lá em cima, estava à mercê de visitantes menos bem-intencionados. Era preciso que alguém tomasse conta do templo. O escolhido foi o “Tio Martinho”, um homem íntegro de Cidacos.

Só que o Tio Martinho não conseguiu impedir que os roubos se sucedessem. Quando os ladrões partiram o dedo da imagem da Senhora de La Salette e levaram o valioso anel que o enfeitava, a Comissão Patriótica propõe ao guarda que ficasse na capela na noite após as festas, para proteger os objetos de culto que tinham servido à procissão.

Tio Martinho pediu uma caçadeira emprestada e escolheu as escadas que dão para o coro para aí passar a noite.

Já de madrugada foi acordado por um barulho, espreitou e viu um vulto junto ao altar. Apontou a arma e disparou um primeiro tiro. Antes de novo disparo, intimou a pessoa a que não se mexesse. Ficaram expectantes até que o dia clareou. O Tio Martinho conseguiu depois fechar o intruso na sacristia e correu a tocar os sinos a rebate.

A população acorreu e cercou a capela. Quando o larápio foi finalmente levado para a cadeia viram que tinha alguns chumbos no corpo e que lhe o dedo mínimo da mão direita. O gatuno confessou que tinha sido ele a partir o dedo da imagem e a roubar o anel.

De regresso à capela, o Tio Martinho encontrou o dedo junto ao altar. O dedo foi preservado e ainda hoje se encontra na atual capela.

 Parque La Salette com novos espaços

©Azeméis é vida
As piscinas do parque de La Salette

Nos últimos anos, o parque de La Salette tem sido alvo de obras de requalificação, que começaram ainda sob a gerência da extinta Fundação La Salette. Estas resultaram de uma candidatura apresentada, que contemplou uma série de projetos de dimensão significativa com o objetivo de tornar este espaço numa área natural com dimensão regional e nacional, o que está a ser bem conseguido.

Graças a este investimento, uma série de estruturas favorecem ainda mais o convívio, o lazer e a fruição. A piscina, o parque intergeracional e desportivo, o parque de merendas e o de eventos, entre outros complexos, como o ponto de abastecimento e manutenção para autocaravanas, fazem parte do conjunto.

O parque ocupa 17 hectares e a sua gestão é atualmente da responsabilidade da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis.

“A maior romaria da Beira Litoral”

© Azeméis é vida
Procissão das velas em honra de Nossa Senhora de La Salette

Com o mês de agosto chegam a Oliveira de Azeméis as Festas em honra de Nossa Senhora de La Salette. Entre abraços e beijos, a ‘família oliveirense’ reencontra-se com a fé e a tradição.

A noite oliveirense ilumina-se com milhares de velas cintilantes, que acompanham a descida da Nossa Senhora de La Salette, desde a sua capela, localizada no parque erguido em sua devoção, à igreja localizada no centro da cidade. É o ponto de partida para a que é conhecida como ‘a maior romaria da Beira Litoral’. A fé do povo renova-se a cada ano na já consagrada procissão de velas e, uma semana depois, essa mesma crença leva a Virgem de volta à sua casa, na sempre grandiosa procissão do Triunfo.

Durante oito dias, os festejos trazem milhares de oliveirenses e forasteiros ao maior ex-líbris de Oliveira de Azeméis. No parque vivem-se momentos de intenso convívio, marcado pelo reencontro de conterrâneos vindos de todos os cantos do mundo, que aproveitam o período das festas para o regresso à terra que os viu nascer.

Paralelamente ao programa religioso, que tradicionalmente inclui as referidas procissões e uma missa solene na igreja da cidade, o calendário traz nomes sonantes do panorama musical e artístico nacional.

Nestas festividades bem conhecidas no Entre Douro e Vouga há costumes enraizados que não mudam, porque assim é a vontade da população, sendo essencialmente para esta que as festas são realizadas por uma comissão que dá “o tudo por tudo” para que “nada falte, nem falhe”.

Neste sentido, o costumado festival de folclore anual traz ao parque sobranceiro à cidade de Azeméis um serão marcado pela etnografia portuguesa. Também a juventude não é esquecida. Os promotores não descuram um dos seus objetivos: fazer da La Salette um espaço de confraternização intergeracional, não só durante as festas, mas nos 365 dias do ano. Assim, os jovens já acolhem a jornada festiva com entusiasmo, numa jornada que tem como ponto alto para esta faixa etária a ‘sua’ noite, com raves e dj’s.

Já os mais pequeninos esperam, com a alegria que lhes é peculiar, a manhã da 2.ª segunda-feira de agosto, que lhes é sempre dedicada. Este que é o último dia das Festas em honra de Nossa Senhora de La Salette é também um dia muito importante para a ‘família oliveirense’. O parque apinha-se por completo de convivas, que trazem os seus farnéis para a ‘tarde das merendas’, assistem ao programa recreativo e cultural, e esperam o fogo de artifício, que, como na noite anterior, ilumina sempre os céus do concelho que acolheu, no monte dos Crastos, a Senhora de La Salette.

De reter que é sempre na segunda-feira a seguir ao segundo domingo de agosto que Oliveira de Azeméis tem o seu feriado municipal, este ano coincidente com um feriado nacional.

Previous ArticleNext Article

This post has 4 Comments

4
  1. Ouvi falar da historia das 7 santas irmãs que estão todas em pontos altos a verem-se umas as outras, é real esta historia? Gostava de saber mais, obrigada

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.