Pamukkale: a montanha de algodão

Pamukkale foi declarado pela UNESCO como Património da Humanidade por ter no mesmo local um fenómeno geológico único e as ruínas da cidade romana de Hierápolis.

Localizada entre Antália e Esmirna, perto de Denizli, Pamukkale vale definitivamente uma visita e tudo por causa da sua montanha. Depois da visita a Sirince, meti-me no comboio até Denizle e daí de carrinha que me levou ao destino. Cheguei perto do pôr-do-sol.

O branco agressivo de Pamukkale

A montanha é agressivamente branca, como se coberta por um nevão. Pamukkale – o nome do monte e da vila – é a palavra turca para castelo de algodão. Raramente vi um nome tão bem posto. A alvura é fruto das fontes termais existentes no topo, de águas calcárias que descem vagarosamente a encosta depositando os sedimentos pelo caminho e formando mármore travertino

Hoje Património da Humanidade, Pamukkale perdeu muito do seu charme devido à pressão do turismo e as piscinas naturais em forma de concha que continuam a fazer os cartazes promocionais já não se enchem de água, desviada para uma rampa que sobe a encosta numa suave inclinação e onde foram construídas retangulares piscinas artificiais em socalco. Mais do que o fenómeno natural, Pamukkale vale fundamentalmente pela cidade de Hierápolis que os romanos edificaram no topo da montanha.

Depois de uma primeira subida exploratória ao final da tarde para aproveitar o ocaso para fazer umas fotos, regresso ao hotel para uma frugal refeição no terraço. Vale a pena fazer uma exploração mais aprofundada das águas termais e da cidade romana no seu topo. Deito-me cedo e cedo me ergo, não por causa da saúde, mas para aproveitar a melhor luz do dia.

A minha experiência em Pamukkale

O esforço compensa. Sou dos primeiros a passar na bilheteira e tenho a montanha de algodão quase só para mim. Descalço-me – como é obrigatório – e ponho a t-shirt na mochila. Só com o fato de banho subo a encosta, sentindo nos pés a água tépida e a textura argilosa do sedimento calcário. No tronco, o afago do sol matinal. Delicio-me com a cascata de água quente a cair-me nos ombros, mas fico menos tempo do que o que tinha previsto nas piscinas. O constante fluxo de pessoas que, entretanto, se começa a fazer sentir tira-me a vontade. Subo a colina e estou em Hierápolis com as suas termas, o seu teatro e a imensa necrópole.

Antes de deixar que a história me abrace dou um pulo até ao complexo conhecido como Termas Antigas, que não sendo velho é já caduco. As águas termais continuam a ser aproveitadas numa estrutura sem qualquer tipo de piada e em que algumas das piscinas estão vazias. Resolvo não experimentar e opto por um tratamento de pedicura feito por… peixes. São 20 minutos de pequenas cócegas nos pés feitas por peixes que se alimentam de pele morta e que no seu habitat ajudam no tratamento da psoríase, mas que aqui, por causa da diferença da água, apenas servem como auxiliares de cosmética. Podia ter experimentado em Portugal, mas fazê-lo a olhar para o teatro romano de Hierápolis tem outro charme.

As ruínas de Hierápolis

A manhã fez-se tarde e passeio-me por entre as ruínas da cidade debaixo de um sol inclemente. O que mais me impressionou foi a necrópole. Imensa e ainda com muitos túmulos. Os romanos – pelo menos aqueles com posses para tal – construíam jazigos, mas os túmulos eram colocados por cima e as grandes estruturas sucedem-se por centenas de metros. Na zona mais perto das fontes termais perderam mesmo a guerra contra a natureza, estando semi-sepultadas pela dura camada branca como a neve dos sedimentos calcários depositados durante centenas de anos.

Esta é a maior necrópole da Anatólia. A cidade de Hierápolis terá sido fundada no século II a.C. e passou a fazer parte do império romano quase 200 anos depois. As águas termais e o fenómeno geológico que aqui ocorre foram fundamentais para a construção da urbe, de que o anfiteatro é ainda hoje um dos pontos mais impressionantes.

É claro que podemos chegar a Pamukkale de excursão, mas o local pede que o percorramos calmamente. Optei por dia e meio para a minha estadia junto do castelo de algodão e julgo ter sido a melhor opção.

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