O sonho de Pina Manique

Na Azambuja, conheçamos a Vala Real, os mochões do Tejo e o Pinhal das Virtudes e percamo-nos na gastronomia em que o prato forte são os peixes de rio. Mas não percamos a hipótese de conhecer os sonhos de grandeza de Pina Manique, o Intendente Geral da Polícia, que em Alcoentrinho quis edificar uma majestosa urbe e o que primeiro foi feito foi mudar-lhe o nome para Manique do Intendente.

A Praça dos Imperadores, em Manique do Intendente, surpreende o visitante pela sua amplitude e grandiosidade. Este era o primeiro passo de um plano megalómano. Vamos a um pouco de história para melhor percebermos Manique do Intendente.

Diogo Inácio de Pina Manique, um pequeno fidalgo formado em Leis pela Universidade de Coimbra, é uma personagem central do absolutismo português do século XVIII, tendo-se tornado o homem de mão do Marquês de Pombal. Contudo, foi apenas após a morte de D. José I e da queda em desgraça de Sebastião José de Carvalho e Melo que ascende ao cargo de Intendente Geral da Polícia, nomeado por D. Maria. Um facto que não deixa de ser curioso por a rainha ter ordenado ao Marquês de Pombal o exílio da corte. Mas Pina Manique conseguiu sobreviver à tempestade e tornou-se imprescindível ao novo governo pela repressão aos ideais da Revolução Francesa e à Maçonaria, a ponto de D. Maria I lhe ter concedido a 11 de julho de 1791 o lugar de Alcoentrinho, que se passa a chamar Manique do Intendente.

Quando se viu com Manique do Intendente nas mãos, Pina Manique sonhou grande e alto, querendo transformar a pequena terra numa cidade moderna e grandiosa. O plano passava pela construção de uma praça central hexagonal – a dos Imperadores – de onde sairiam largos e extensos arruamentos, cada um com o nome de um imperador romano. César, Augusto, Justiniano, Sertório, Traiano, os “pais da Pátria”, como Pina Manique também se via.

Na Praça dos Imperadores seriam construídos os edifícios centrais da vila, como a casa da Câmara e o palácio senhorial para sua residência. Mas a audácia do projeto veio-lhe já tarde na vida e Diogo Inácio de Pina Manique morreu a 1 de julho de 1805, sem ter tido a hipótese de concluir aquela que a seus olhos seria a mais bela cidade portuguesa.

E com a morte do Intendente Geral da Polícia pararam todas as obras. Do ambicioso plano apenas ficou a imponente Praça dos Imperadores e o edifício da Câmara, mais o começo das ruas com os nomes dos “pais da Pátria” romanos. E ainda a capela do que seria o palácio senhorial e que hoje é a Igreja Matriz de Manique do Intendente.

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